Mentes desgovernadas costumam afirmar que “no outro lado” se vê de tudo e , por isso , desde pequena , quando meus pais me preparavam para lidar com as horas e aglomerações do meio público é que me diziam – em tom de alerta – sempre um cuidadoso “se cuide” .
Hoje , talvez pelo hábito , o cuidado foi deixado de lado . O “de tudo” não mais assusta como novidade . Mas e se eu temer o resto do “tudo” a que ninguém faz referência e que estou ( estamos ) tão predisposta a encontrar ? O “de tudo” foi sempre tão limitado quanto as mentes que o qualificavam ( e qualificam ) como ‘grande’ , ‘poderoso’ … e “tudo” . Isto , regra geral , se restringe à mendigância , ambulância e à eterna vigilância ; É proliferação da “ânsia” , é o medo estimulado . Trata-se do medo do susto imediato e escancarado .
Não podemos confiar em trocadores , vendedores ou transiundos pois podem estar nos roubando . Não podemos confiar em quem nos rouba pois podem nos matar …
Seria mais sensato por parte dos ditos responsáveis que nos alertassem para o que de fato apavora . Eles , preparando-nos então , diriam com o coração em mão : “cuidado com todos os lados , pois em “tudo” há a doença , o silêncio , uma vida de perda e a morte . Se cuide .”